Crônica de uma guerra

Pablo Picaso guernica31--644x362

Olhou o resplendor que iluminou a noite,
a lua sorri impávida quando pensa que ninguém a vê,
versões diferentes do mesmo sonho,
sonham os humanos… mas o ignoram.

A noite sofre de insônia e relampagueia.

Depois, só o silencio.

Nessa casa ausente de lembranças,
todo o que restou foi o silencio,
o silencio, e uma lua despenteada,
que observa, na solidão das paredes,
o vazio gotejar do tempo.

Nessa casa de janelas mutiladas,
e vides exauridas,
ainda se intui, no esqueleto dos vitrais,
uma languida sombra e um piscar ausente,
na triste solidão do seu olhar.

O deserto se alimenta de seus próprios detritos,
nuvens de areia cobrem o despertar,
um longínquo mar saliva sangue,
campos de papoula lacrimejam ao entardecer,
entretanto, a vida vai-se diluindo nas entrelinhas das encruzilhadas.

Estrondo de botas ecoa nos corredores da madrugada,
os lobos uivam no telhado da antiga mansão,
a noite dorme nua de estrelas sobre lençóis de gases…
e na casa dos homens que habitam a terra dos fogos fátuos,
a Morte treina maratona.

Anuncios
Esta entrada fue publicada en Uncategorized y etiquetada , , , , . Guarda el enlace permanente.

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión /  Cambiar )

Google photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google. Cerrar sesión /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión /  Cambiar )

Conectando a %s