Babel

Torre de Babel de libros de Marta Minujín en Baires (4)-002

Nas mãos,
o silencio das palavras,
as letras que caem da boca,
que se esparzem,
que choram…
As letras que,
como lava,
solidificam-se,
vestem-se de palavrão,
ficam rubras,
pálidas,
cinzas,
transparentes…
As letras que
descem ladeira abaixo,
num rio fervente de ódio e de fel,
rodopiam a ladeira do meu corpo,
abrasam-me,
abrem estrias,
desnudam-me,
extinguem-me…
Sem sentido,
as letras constroem
palavras incompreensíveis,
desfazem-se,
desintegram-se,
ficam sem tom nem som,
sem sombra,
sem luz,
sem caos.
Grito mudo,
eco de letras desgarradas,
silencio multiplicador de silêncios,
universo vazio de sons,
buraco negro,
útero,
vácuo,
boca.
Do outro lado da janela,
além do horizonte,
a noite dorme.
Como estrelas,
as palavras renascem,
no firmamento do teu corpo.
Transformam-se em verbo.

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