Versejando

mulher-so-pintura

I
Caminharei à sombra dos abacateiros,
nas madrugadas dos sonhos mal dormidos,
e algum dia, quem sabe,
quando o vento assombre
as cortinas da sala,
e a chuva repique
velhas melodias contra os cristais,
abrirei as janelas do meu corpo
e, como fumaça, voarei.
Libarei, então, o vinho doce dos mananciais,
acenderei os risos acaçapados na garganta,
pairarei, com a leveza dum véu de noiva,
acima de sofrimentos e prazeres:
Serei livre.

II
Porque só hoje,
neste instante
que já não é,
após de tantos
e tantos anos
de morar comigo,
descobri meu rosto
no espelho.
Sou um suspiro que se esvai
o hálito dum sonho mal dormido
a brisa duma madrugada insone
o alento que se fez tangível :
Sou uma mulher!

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