OLHAR CINZA

lienzo del pintor español Julio Romero de TorresEra uma mulher triste, e ela o sabia. Conhecia a tristeza em toda a sua extensão e profundidade. Vivia ensimesmada. Com o olhar no chão. Um dia, nem lembrava quando, disseram-lhe que o mundo era um vale de lágrimas. Acreditou piamente. Seu mundo tornou-se cinza. Seus olhos eram incapazes de distinguir qualquer outra cor. Por muito que perscrutasse dentro dela, não percebia motivo algum para ser feliz. Alias, desconhecia o significado da palavra felicidade. Era mestre em ver o lado ruim da questão. Se chovesse, imaginava dilúvios e desastres. Se fizesse sol, prognosticava queimadas, aridez, fome. Treinada desde menina, era danada de boa em prever desgraças. Contudo, naquela manhã de primavera acordou com um sorriso nos lábios. Ficou aflita. A boca esticava-se, os dentes assomavam, os olhos brilhavam. Uma comichão provocou-lhe um incontrolável desejo de rir. Seu alarme interno soou. Mas a intuição levou-a até a janela. Ele estava ali, na calçada, olhando-a, como no sonho. Assustou-se.

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