Oração

googleseca11-001

A cada dia lhe custava mais trabalho acordar. Levantava do catre e se arrastava até o fogareiro para esquentar um pingo de água com que aquecer o corpo. Mas naquele corpo, tudo ossos, já não havia muito que aquecer. Olhava as paredes de barro ressequido, o armário vazio, o pedaço de pano em que definhava o filho mais novo, e suspirava. Era o seu, um suspiro baixinho e cheio de intenções, pois carecia de forças para rezar. Um suspiro a modo de oração. Um suspiro prece para que esse Deus da misericórdia se apiedasse deles, e os deixasse dormir eternamente. Sem despertares. Sem amanhãs. Afora, como todos os dias, o sol escaldante, o jarro, e o longo caminho empoeirado até a fonte.

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