SEM PALAVRAS

teatro foto de google

Levantou o braço. A mão tremula como bandeira ao vento. Ela era tímida, envergonhada. Gostava de passar despercebida. As noites sonhava que era invisível. No inverno vestia roupas marrons. No verão, beges. Calada, assistia às aulas de teatro desde a última cadeira da última fileira. Sorriu ao ouvir o enferrujado crepitar dos pescoços que, bisbilhoteiros, giravam as cabeças para mira-la. Ao final das contas, ela era a moça silenciosa e arredia do último banco. Respirou fundo, levantou-se, caminhou devagar até o palco, subiu os degraus com parcimônia, observou uns segundos o cortinado do fundo, girou os pés, num passo de baile, olhou às pessoas que estavam sentadas, e disse: desculpem, mas não estou a fim de falar com vocês, adeus.

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