Mulher Águia

 

foto-de-google-mulher_nSaiu do sonho como da vida. Ave solitária e dolorida, as asas cortadas, tolhidas. Penitente afastou-se do mundo, enclausurou-se. No fundo da caverna, resguardada, virou limo,
pedra, escuridão, silêncio, Luz. Era uma mulher que renascia a cada amanhecer, seu tempo era aquele dia. Era uma mulher sem idade, mais antiga que a eternidade, mais nova que o amanhã. Não seguia modas, era o que era, assim de simples, sem reflexos, tessituras ou redundâncias. Era tudo em si mesma, sem maquiagem e sem carmim. Tinha consciência da nada que a percorria, e isso a fazia forte. Sabia da sombra por detrás do espelho, do medo atrás da porta, da risada lúgubre no final do corredor. Também conhecia os bailes da madrugada, e os suados despertares a dois, os hálitos carregados de rum ou de mescal. Ela era o sonho, o pesadelo, e o alvorecer. Ela era paixão e indiferença, entusiasmo e desilusão. Coerentemente contraditória, ela morria de plenitude a cada noite e ressurgia livre de memórias ao despertar.

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