O Espelho

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Vivia sozinha desde… ninguém lembrava mais desde há quanto tempo. Alguns diziam que tinha sido uma atriz famosa, que preferiu retirar-se no esplendor da sua beleza. Sempre foi solitária e silenciosa, assegurou a vizinha do primeiro; de pouca conversa, comentou a do segundo; ficava na dela sem incomodar ninguém, ratificou a porteira do prédio. Mas naquele dia, um grito desesperado e o estrondo de cristais ao se estraçalharem na calçada acordou o prédio inteiro. Na janela, com o rosto torcido de espanto e um último pedaço de espelho na mão, estava ela, a vizinha solitária. Quando os enfermeiros do sanatório foram busca-la, encontraram-na com o sorriso pronto e as malas feitas. Que bom que chegaram, agradeceu ao abrir a porta. Porem, antes de fecha-la, fixou um último olhar de ódio no fundo do corredor e, com os dentes apertados, mussitou: não suportaria viver com você nem mais um minuto, sua velha ranzinza e amargurada do espelho.

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