Tempo

Dedos intangíveis
acendem minha memória,
eriçam-me os sentidos,
sacudem-me as recordações.
Os sonhos cavalgam
no vento da saudade,
falam dum passado
que, embora já não exista,
permanece presente nas lembranças.
Trago a minha história gravada na pele,
enxergo além do que hoje vejo no espelho…
Pois é, sem cicatrizes não há beleza,
diz-me uma voz etérea que acredito reconhecer.
Que seria de nós sem elas?
Questiono-lhe prontamente.
Nada, me garante a voz, e continua
antes de que eu consiga rebater,
o tempo dissolve as cicatrizes do corpo, diluí-as.
Sim, assevero eu, transforma-as em nostalgia
e, algumas poucas vezes, em pérolas.
Somos feitos de luz e melancolia,
e é por isso, conclui a voz,
que a saudade é o verdadeiro estado do ser.

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