Porta fechada

puertas-y-llaves-1Escreveu seu nome no umbral,
a maçaneta tamborilou,
a fechadura piscou,
as paredes ecoaram o som das letras…
Ninguém ouviu!
Forçou a fechadura,
golpeou a porta,
empurrou-a,
arranhou-a…
Ninguém abriu!
Soube, então, que havia
perdido a chave do coração dela.
Num céu sem piedade nem dor,
a lua iluminava a noite.

Yolanda Serrano Meana,

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Portas/Puertas

dscn1743-003Portas Santas

Que mistérios se escondem trás as portas das catedrais?
Qual a contrassenha que abre os portões do infinito?
Num último esforço, subiu os degraus da escalinata com a esperança de entrar na igreja e descansar, mas estava fechada. As igrejas fecham? Vencido pelo frio e o cansaço, apoiou a cabeça na porta e fechou os olhos. A mão esquerda acariciava as figuras de santos, talhadas tanto tempo há, naquela madeira nobre e insensível, a direita golpeava-as com desesperação. No interior, a música de um órgão e um coro de vozes infantis:
Ao silencio dos gritos esquecidos,
Ao perdão das matanças silenciadas,
À paz imposta pelo medo… Amém.

Puertas Santas

¿Qué misterios ocultan las puertas de las catedrales?
¿Qué contraseña abrirá los portones del infinito?
Con un último esfuerzo, subió los escalones de la escalinata con la esperanza de entrar en la iglesia y descansar, pero estaba cerrada. ¿Las iglesias cierran? Golpeado por el frío y la fatiga, apoyó la cabeza en la puerta y cerró los ojos. La mano izquierda acariciaba las figuras de los santos, tallados hace ya tanto tiempo, en aquellas maderas nobles e insensibles, la derecha las golpeaba con desesperación. En el interior, la música de un órgano y un coro de voces de infantiles:
Al silencio de los gritos olvidados,
Al perdón de las muertes silenciadas,
A la paz impuesta por el miedo … Amén.

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NOTURNA

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Acordou com o sonho enroscado na memória, a pele eriçada e os olhos cegos a esse amanhecer que tentava, com insistência, invadir sua habitação. Como muitas outras noites, tinha sonhado com o mesmo desconhecido que lhe aquecia a alma e lhe arrepiava a pele. Sonolenta, buscava-o nos lençóis. Acordada, o procurava nas ruas. Precisava descobrir quem era. Saber se existia. Se era real! Pesquisou nas redes sociais, no google, até um detetive chegou a contratar. Disseram-lhe que não perdesse o tempo e a saúde. Esse homem não existe, asseguraram-lhe. Não lhes deu atenção. Amava aquele homem, real ou não, que despertava nela a paixão de viver. Passava as noites em seus braços e os dias procurando-o obsessivamente. Então teve uma ideia. Comprou um dormitório novo, um enxoval de camisolas de noiva, um Chanel 5, uma caixa de soníferos e deitou…

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COMPAIXÃO

mulheres-google_nEncontrou-a jogada na areia, abandonada a seu destino. Foi num amanhecer cinzento e frio do mês de fevereiro. Olharam-se, uma com receio, a outra com piedade. Não emitiram som algum, apenas caminharam juntas, lado a lado. A velha senhora de corpo cansado e alma leve, sorriu quando abriu a porta da sua casa e a convidou a entrar. Indecisa, a jovem refugiada de carnes enxutas e alma ferida, que tremia de medo, mas principalmente de fome, olhou entorno dela e, com andar inseguro, receoso e cambaleante, cruzou o limiar. No fogão a carvão viu uma fumegante panela de ferro. Na mesa dois pratos e uma fogaça de pão. Rompeu a chorar! Lágrimas banharam seu rosto enquanto aspirava um cheiro delicioso, quase sagrado, a comida.

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Mulher Águia

 

foto-de-google-mulher_nSaiu do sonho como da vida. Ave solitária e dolorida, as asas cortadas, tolhidas. Penitente afastou-se do mundo, enclausurou-se. No fundo da caverna, resguardada, virou limo,
pedra, escuridão, silêncio, Luz. Era uma mulher que renascia a cada amanhecer, seu tempo era aquele dia. Era uma mulher sem idade, mais antiga que a eternidade, mais nova que o amanhã. Não seguia modas, era o que era, assim de simples, sem reflexos, tessituras ou redundâncias. Era tudo em si mesma, sem maquiagem e sem carmim. Tinha consciência da nada que a percorria, e isso a fazia forte. Sabia da sombra por detrás do espelho, do medo atrás da porta, da risada lúgubre no final do corredor. Também conhecia os bailes da madrugada, e os suados despertares a dois, os hálitos carregados de rum ou de mescal. Ela era o sonho, o pesadelo, e o alvorecer. Ela era paixão e indiferença, entusiasmo e desilusão. Coerentemente contraditória, ela morria de plenitude a cada noite e ressurgia livre de memórias ao despertar.

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Ánima

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Me enamoré
aquella madrugada
lluviosa en que,
sonámbula,
me miré en el espejo
por primera vez.
Vi un cuerpo desnudo,
árido paisaje, cincelado
por los años y las cicatrices.
Contemplé unas manos
marchitas de caricias.
Observé las marcas de la risa
en cada una de las arrugas de aquel rostro.
También reparé en las profundas huellas
dejadas por el llanto.
Pero las vi tan bellas, tan bellas,
que las hice mías, ¿por qué negarlo?
Y al aceptarlas…
me percibí hermosa.

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Epitáfio

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Epitáfio

Hoje, após tantos anos
de morar comigo,
percebo, na delicadeza de um suspiro que
durou apenas a fração dum segundo,
meu rosto no espelho.
Não me reconheci.
Intuo, então, lá no fundo do olhar,
justo atrás das rugas
que me presenteou o tempo,
o dia em que só existiremos
na lembrança dos desmemoriados.

Epitafio

Hoy, después de tantos años
de vivir conmigo,
percibo, en la delicadeza de un suspiro que
duró apenas la fracción de un segundo,
mi rostro en el espejo.
No me reconocí.
Intuyo, entonces, en el fondo de la mirada,
justo detrás de las arrugas
que me regaló el tiempo,
el día en el que solo existiremos
en el recuerdo de los desmemoriados.

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